Calculadora de independência financeira
Quanto você precisa ter para viver da renda do seu patrimônio, e quanto tempo falta para chegar lá — tudo em reais de hoje.
Atualizado em
Quero uma renda de por mês.
As condições da simulação
O juro real é o que o seu patrimônio rende acima da inflação. Ele chega preenchido com o do Tesouro IPCA+ em oferta e é o número que manda em toda a página: define o patrimônio necessário e o ritmo do caminho até ele.
IPCA em 12 meses 4,22% série 13522, — usado só para converter a taxa da oferta em juro real
Custódia da B3 0,20% ao ano cobrada sobre o saldo durante todo o caminho
Quanto você precisa ter
Patrimônio em reais de hoje que paga essa renda sem encolher, pelos dois métodos mais usados.
A regra dos 4% pede R$ 717.731,42 a mais, porque saca menos por ano do que o juro real desta página rende — é a margem de segurança que ela embute contra anos ruins.
Quanto tempo falta
Com aportes de R$ 2.000,00 por mês e R$ 0,00 hoje no Tesouro IPCA+, ao juro real de 7,67% ao ano, você chega lá em 17 anos e 8 meses.
Recalcule ajustando os valores; a simulação interativa não carregou.
Ver a conta dos dois métodos
| Método | Renda por ano | Retirada ao ano | Patrimônio necessário |
|---|---|---|---|
| Juro real desta página | R$ 60.000,00 | 7,67% | R$ 782.268,58 |
| Regra dos 4% | R$ 60.000,00 | 4,00% | R$ 1.500.000,00 |
Como calculamos
O patrimônio necessário é uma perpetuidade em termos reais: se o dinheiro rende um juro real (já descontada a inflação) de r ao ano, um patrimônio P paga P × r por ano para sempre, sem encolher em poder de compra. Invertendo, P = renda × 12 ÷ r. A palavra que faz toda a diferença nessa frase é real: usar a taxa nominal aqui — a Selic inteira, por exemplo — devolve um patrimônio bem menor e uma renda que perde poder de compra todo ano, e é o erro mais comum desta conta.
A segunda resposta é a regra dos 4%, que é apenas a mesma divisão com uma taxa de retirada fixa de 4% ao ano. Ela não é uma lei nem um resultado brasileiro: vem de dois trabalhos americanos — William Bengen, Determining Withdrawal Rates Using Historical Data (Journal of Financial Planning, 1994), e o chamado estudo Trinity, de Cooley, Hubbard e Walz (AAII Journal, 1998) — que testaram carteiras de ações e títulos dos Estados Unidos entre 1926 e 1995 em janelas de 30 anos. É uma referência histórica de outro mercado, outra moeda e outro regime tributário, e neste site ela aparece como comparação, nunca como garantia.
O tempo que falta é simulado mês a mês pelo mesmo motor das outras ferramentas, e com um cuidado que quase toda calculadora de independência financeira erra: meta e caminho ficam na mesma moeda. O patrimônio necessário está em reais de hoje, então o caminho também é simulado em reais de hoje — o veículo é o Tesouro IPCA+, o único título brasileiro que contrata um juro real, rodando exatamente com o juro real que você escreveu acima e com a inflação zerada na conta, porque ela já foi descontada dos dois lados. Comparar uma meta de hoje com um saldo nominal de daqui a vinte anos é comparar duas moedas diferentes, e o prazo que sai disso é curto demais.
O que essa simulação desconta: a taxa de custódia de 0,20% ao ano da B3 sobre o saldo, mês a mês, e o imposto de renda pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004, art. 1º, no resgate. Uma ressalva honesta: na vida real o imposto incide sobre o ganho nominal, que inclui a inflação, e aqui ele incide sobre o ganho real, que é menor. O prazo devolvido é, por isso, um pouco otimista — some alguns meses à conta.
Outra ressalva sobre o patrimônio necessário: a renda que ele paga é bruta, antes do imposto de renda que incide sobre cada saque. Um Tesouro IPCA+ resgatado depois de dois anos já está na última faixa da tabela regressiva, 15% sobre o rendimento, então para a renda cair líquida no valor que você pediu no alto da página, o patrimônio necessário é cerca de 18% maior do que o número mostrado aqui.
Três coisas que nenhuma calculadora deste tipo resolve, e que valem mais que a precisão do número. A primeira é o risco de sequência: quem começa a sacar logo depois de uma queda forte pode ver o patrimônio encolher mesmo respeitando a taxa de retirada, porque vender na baixa consome principal. A segunda é que o juro real de hoje não é o de amanhã — o Tesouro IPCA+ trava a taxa de um título até o vencimento, não a de toda a sua vida. A terceira é que a renda desejada também muda: R$ 5.000 por mês hoje não é o mesmo padrão de vida daqui a trinta anos, e é por isso que tudo nesta página está em poder de compra de hoje, e não em reais futuros.
Quanto é preciso ter para viver de renda
Patrimônio necessário para três rendas mensais, pelos dois métodos, com o juro real de 7,67% ao ano que está no campo acima.
| Renda mensal | Pelo juro real | Pela regra dos 4% |
|---|---|---|
| R$ 2.000,00 | R$ 312.907,43 | R$ 600.000,00 |
| R$ 5.000,00 | R$ 782.268,58 | R$ 1.500.000,00 |
| R$ 10.000,00 | R$ 1.564.537,16 | R$ 3.000.000,00 |
Perguntas frequentes
Quanto preciso ter para viver de renda?
Depende de duas coisas apenas: a renda mensal que você quer e o juro real que o seu patrimônio consegue render acima da inflação. A conta é a renda anual dividida pelo juro real. A tabela desta página mostra o resultado para três rendas comuns, e o campo do juro real permite refazer tudo com a taxa que você considera realista.
A regra dos 4% vale no Brasil?
Ela é uma referência americana, medida sobre ações e títulos dos Estados Unidos entre 1926 e 1995 em janelas de trinta anos, e não uma regra brasileira nem uma garantia. Aqui ela aparece ao lado da conta feita com o juro real de hoje justamente para que você veja a distância entre as duas. Quando o juro real disponível é alto, a regra dos 4% pede um patrimônio maior; quando é baixo, ela pede menos do que seria prudente.
Por que a calculadora usa juro real e não a taxa cheia?
Porque uma renda para sempre precisa acompanhar a inflação, e a parte do rendimento que apenas repõe a inflação não é renda: é manutenção do poder de compra do principal. Sacar o rendimento nominal inteiro todo ano significa encolher o patrimônio em termos reais até ele não pagar mais a renda que pagava. Todos os valores desta página estão em poder de compra de hoje pelo mesmo motivo.
O prazo considera o imposto de renda?
Considera a tabela regressiva no resgate e a taxa de custódia da B3 durante todo o caminho. Uma ressalva: na vida real o imposto incide sobre o ganho nominal, que inclui a inflação, e nesta simulação ele incide sobre o ganho real, que é menor. O prazo mostrado é, portanto, ligeiramente otimista — vale somar alguns meses ao resultado.
Posso me aposentar com menos se continuar trabalhando um pouco?
Pode, e é a saída que mais gente usa. Qualquer renda que continue entrando reduz o quanto o patrimônio precisa pagar, e a conta é direta: subtraia essa renda da renda mensal desejada no alto da página e veja o patrimônio necessário cair na mesma proporção. Metade da renda vinda de trabalho significa metade do patrimônio.