Quanto rende R$ 100.000 no Tesouro Prefixado em 2026

Descubra quanto R$ 100.000 podem render no Tesouro Prefixado em 2026 e veja se a taxa fixa compensa diante dos cenários de juros e inflação.

Investir uma quantia expressiva, como cem mil reais, é uma decisão que pede cautela e informação. Entre as opções de renda fixa disponíveis no mercado brasileiro, o Tesouro Prefixado chama atenção por oferecer uma taxa de juros definida no momento da compra — ou seja, você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic ou com a inflação ao longo do caminho. Mas será que essa previsibilidade compensa em 2026?

Neste artigo, vamos simular quanto pode render uma aplicação alta no Tesouro Prefixado, explicar como a taxa fixa funciona na prática e mostrar em quais cenários esse título público faz mais sentido do que alternativas pós-fixadas, como o Tesouro Selic ou um CDB atrelado ao CDI.

O que é o Tesouro Prefixado e como ele funciona

O Tesouro Prefixado é um título público federal no qual a rentabilidade é combinada no momento da compra. Diferente do Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, ou do Tesouro IPCA+, que corrige o valor investido pela inflação mais um adicional fixo, o Prefixado entrega um número só: uma taxa de juros anual que vale do início ao fim da aplicação, caso o investidor leve o papel até o vencimento.

Essa característica torna o título uma espécie de “aposta na direção dos juros”. Se você compra um Tesouro Prefixado com uma taxa travada e, depois, a Selic cai, seu título se valoriza, porque ele continua pagando a taxa mais alta combinada anteriormente. Por outro lado, se a Selic sobe depois da sua compra, títulos novos passam a oferecer taxas melhores, e o seu, se vendido antes do vencimento, pode valer menos do que o esperado.

Esse efeito de oscilação no preço do título antes do vencimento é chamado de marcação a mercado. Vale a pena entender esse conceito antes de investir, especialmente se existe a chance de você precisar resgatar o dinheiro antes do prazo final. Para aprofundar o tema, confira o artigo Marcação a mercado: entenda as oscilações no Tesouro Direto.

Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, um patamar que costuma pressionar as taxas dos prefixados para cima, já que os juros futuros tendem a seguir a referência básica da economia. Por isso, momentos de Selic elevada costumam ser vistos por alguns investidores como oportunidades interessantes para travar taxas atrativas no longo prazo.

Simulação: quanto rende cem mil reais no Tesouro Prefixado em 2026

Para entender quanto renderia um investimento alto no Tesouro Prefixado, é preciso lembrar que a rentabilidade final depende de três fatores:

  • A taxa de juros fixada no momento da compra, que muda diariamente conforme as condições do mercado;
  • O prazo de vencimento escolhido, que pode variar de poucos anos a mais de uma década;
  • A alíquota de Imposto de Renda aplicada sobre o rendimento, que diminui conforme o tempo de aplicação aumenta.

Como a taxa exata varia todos os dias de acordo com as condições do Tesouro Direto, o cálculo preciso de quanto esse valor renderá deve ser feito no momento da aplicação, usando a taxa vigente naquele dia. Para isso, a Calculadora do Tesouro Direto permite simular o valor exato com base na taxa atual do título escolhido, seja o Tesouro Prefixado 2029 ou o Tesouro Prefixado 2032.

De forma simplificada, o raciocínio funciona assim: o valor investido cresce ano após ano pela taxa combinada, de forma composta — ou seja, os juros de um período passam a render juros no período seguinte. Quanto maior o prazo até o vencimento, maior é o efeito dos juros compostos sobre o capital inicial. Para visualizar esse efeito sem recorrer a nenhuma taxa específica, a Calculadora de Juros Compostos ajuda a entender como o tempo multiplica o capital.

Vale lembrar que o Imposto de Renda sobre o rendimento do Tesouro Prefixado segue a tabela regressiva da renda fixa, na qual aplicações mantidas por mais tempo pagam alíquotas menores. Quem quiser entender exatamente como esse desconto afeta o valor final pode usar a Calculadora de imposto de renda na renda fixa antes de decidir o prazo ideal.

Diferente de aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI, o Tesouro Prefixado não acompanha o CDI diário — por isso, não existe uma fórmula única de “percentual do CDI” aplicável a ele. A taxa é fixa e conhecida desde o primeiro dia, o que facilita o planejamento, mas exige atenção ao momento da compra.

Tesouro Prefixado x outros investimentos de renda fixa

Para colocar o Tesouro Prefixado em perspectiva, é útil compará-lo com outras opções populares de renda fixa. A tabela a seguir resume as principais características de cada título, considerando o cenário atual de juros no Brasil.

InvestimentoTipo de rentabilidadeTaxa de referência atualIndicado para
Tesouro PrefixadoTaxa fixa combinada na compraDefinida no momento da aplicaçãoQuem acredita em queda futura dos juros
Tesouro SelicPós-fixada, acompanha a Selic13,75% ao anoReserva de emergência e liquidez
Tesouro IPCA+Inflação + taxa fixaIPCA de 4,58% nos últimos 12 mesesProteção do poder de compra no longo prazo
CDB 100% do CDIPós-fixada, acompanha o CDICDI em 13,65% ao anoDiversificação com liquidez e garantia do FGC

Perceba que o Tesouro Selic e o CDB pós-fixado seguem o comportamento do CDI e da Selic, que hoje caminham próximos, já que o CDI acumula 0,05% ao dia e 11,01% no acumulado do ano. Já o Tesouro Prefixado ignora completamente essas variações futuras: uma vez comprado, o rendimento contratado não muda, para o bem ou para o mal.

Para quem quer comparar lado a lado diferentes percentuais de CDI oferecidos por bancos, vale visitar o Comparador de CDB, que ajuda a decidir entre taxas pós-fixadas e a travada do Tesouro Prefixado.

Um exemplo prático de como funciona a lógica de rendimento pós-fixado, para efeito de comparação: aplicando cem mil reais por 12 meses a cem por cento do CDI, o resgate líquido de Imposto de Renda seria de R$ 111.261,25 (líquido, IR pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004). No Tesouro Selic, os mesmos cem mil reais terminariam 12 meses em R$ 111.067,86 e 24 meses em R$ 124.372,83, já sem IR e custódia, pela Selic de hoje. Esses valores servem como referência para o investidor avaliar se a taxa fixa oferecida pelo Tesouro Prefixado no momento da compra supera, empata ou fica abaixo dessa expectativa de rendimento pós-fixado.

Vantagens e riscos do Tesouro Prefixado

Como qualquer investimento, o Tesouro Prefixado tem pontos fortes e pontos de atenção que merecem ser avaliados antes da decisão de compra.

Principais vantagens:

  1. Previsibilidade total do rendimento bruto, caso o título seja mantido até o vencimento;
  2. Possibilidade de travar taxas elevadas em momentos de Selic alta, como o atual;
  3. Garantia do Tesouro Nacional, considerada a mais segura do país;
  4. Variedade de prazos, como o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, que paga cupons de juros periodicamente.

Principais riscos e pontos de atenção:

  1. Marcação a mercado: se você precisar vender o título antes do vencimento, o preço pode estar abaixo do valor investido, mesmo que a taxa contratada seja boa;
  2. Risco de inflação: como a taxa é fixa, uma alta inesperada da inflação pode corroer o ganho real do investidor, diferentemente do Tesouro IPCA+, que já embute essa proteção;
  3. Oportunidade perdida: se os juros subirem bastante depois da sua compra, títulos novos podem pagar taxas melhores, deixando o seu papel relativamente menos atrativo até o vencimento.

Por isso, é importante considerar o horizonte de tempo antes de aplicar. Quem pretende manter o dinheiro investido até o vencimento sofre menos com a marcação a mercado, já que recebe exatamente a taxa combinada na data de resgate.

Quando vale a pena investir no Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado costuma fazer mais sentido em situações específicas. Entre elas, destacam-se:

  • Quando o investidor tem um objetivo com data certa, como a compra de um imóvel ou a reserva para a faculdade dos filhos, e pode alinhar o prazo do título a esse objetivo;
  • Quando a Selic está em patamar elevado e existe a expectativa de queda futura dos juros, o que tende a valorizar o título antes do vencimento;
  • Quando o investidor busca diversificar a carteira de renda fixa, combinando títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, com títulos de taxa fixa.

Por outro lado, quem não tem certeza sobre quando vai precisar do dinheiro, ou busca apenas uma reserva de emergência, costuma se beneficiar mais da liquidez diária do Tesouro Selic. Para entender como esse título mais conservador se comporta com o mesmo valor de aplicação, vale conferir o artigo Quanto rende R$ 100.000 no Tesouro Selic.

Quem já decidiu que o Tesouro Prefixado faz sentido para seu perfil pode aprofundar a leitura no artigo Tesouro Prefixado: o que é e vale a pena em 2026?, que detalha o funcionamento do título com mais exemplos práticos. Além disso, o Simulador de Renda Fixa permite comparar cenários completos de renda fixa, incluindo prefixados, pós-fixados e indexados à inflação, lado a lado.

Perguntas frequentes

O Tesouro Prefixado rende mais que o Tesouro Selic?

Depende do momento da compra e da trajetória futura da Selic. Em cenários de juros em queda, o Tesouro Prefixado tende a se destacar, pois trava uma taxa mais alta antes da redução. Já em cenários de alta inesperada dos juros, o Tesouro Selic, por acompanhar a taxa básica em tempo real, pode se mostrar mais vantajoso.

Posso resgatar o Tesouro Prefixado antes do vencimento?

Sim, o Tesouro Direto garante recompra diária dos títulos. No entanto, o valor de resgate antecipado está sujeito à marcação a mercado, podendo ser maior ou menor do que o valor aplicado, dependendo das condições do mercado no momento da venda.

Qual é o valor mínimo para investir no Tesouro Prefixado?

O Tesouro Direto permite aplicações a partir de uma fração do título, o que torna o investimento acessível mesmo para quem não dispõe de um valor alto para aplicar de uma só vez. O valor mínimo exato pode variar conforme o preço unitário do título no momento da compra.

O Tesouro Prefixado tem garantia do FGC?

Não é necessário, pois o Tesouro Prefixado é garantido pelo Tesouro Nacional, considerado o emissor mais seguro do país. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) protege aplicações em bancos, como CDBs e LCIs, até um determinado limite por CPF e instituição.

Como escolher entre Tesouro Prefixado 2029 e 2032?

A escolha depende do prazo compatível com o objetivo financeiro do investidor. Títulos com vencimento mais distante, como o Tesouro Prefixado 2032, costumam oferecer taxas mais atrativas, mas também ficam mais expostos à marcação a mercado ao longo do tempo. Já vencimentos mais curtos, como o Tesouro Prefixado 2029, reduzem essa oscilação, mas podem pagar taxas um pouco menores.

Este artigo tem caráter exclusivamente educativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura, e as taxas de mercado citadas podem mudar a qualquer momento. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, busque orientação de um profissional qualificado. Para continuar aprendendo, explore outras calculadoras e simuladores disponíveis em Todas as ferramentas.

Compartilhe este artigo

Pedro Fagundes

Pedro Fagundes

Autor do canal O Investimento Certo no YouTube

Educador financeiro, investidor de renda variável desde 2010, possui MBA em Investimentos e Private Banking e certificação CPA 20 da Anbima. Atualmente possui o canal O Investimento Certo no Youtube, que possui como uma das suas principais missões ajudar e transformar a vida de milhares de pessoas que hoje encontram-se com pouco conhecimento sobre finanças através dos seus materiais e conhecimentos ensinados de forma gratuita e simplificada.

Leia também

Foto do topo ilustrativa, de banco de imagens.